segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Visita ao “Sámi Educational Institute” em Inari

A viagem até Inari dura cerca de 25 minutos e durante o trajeto a conversa com a Ulla fluiu naturalmente. A atenção redobrada à estrada é um imperativo dos habitantes desta zona, visto que as renas se encontram a pastar à beira da estrada, muito próximo da zona de circulação. Desta conversa saliento a forma de tratamento entre professores e alunos na Finlândia: tratam-se pelo primeiro nome e por tu. A conversa girou em torno deste tema, e foram estabelecidas as devidas comparações entre os dois países…  
No Instituto fomos recebidas pela diretora Lisa, que gentilmente nos fez uma visita pormenorizada. Neste Instituto fazem formação na área do artesanato e trabalham quase que exclusivamente com materiais provenientes das renas, animais intimamente ligados à vida dos vários povos Sami. Para além do artesanato também estão a decorrer cursos de língua e cultura Sami e há um setor de animação na área da informática que produz pequenos filmes com renas, os quais são vendidos a cadeias de televisão.
Bota Sami
Para a produção de artesanato aproveitam todas as partes das renas: as hastes para facas, incrustações em vários objetos e adornos, a pele com o pelo é usada para botas e acessórios, a pele sem pelo é usada para botas, acessórios, dos ossos também se fazem vários adornos. A madeira da zona, em especial o pinheiro, é usada para produzir objetos e o ouro e prata são trabalhados para produzir joalharia. Todos estes produtos são trabalhados de acordo com as técnicas tradicionais Sami, preservadas ao longo de centenas e centenas de anos. Visitei todos os setores incluindo o do curtume, que tem um cheiro muito forte…como diriam os nossos alunos: “ Que smell !!!!”
Colher de madeira para beber café
Após a visita passámos à pausa para o café e bolo de canela. Durante esta pausa a Lisa explicou-me como funciona este sistema e mostrou-me alguns trabalhos dos alunos, equivalentes às PAPs dos nossos alunos dos cursos profissionais. Desta visita pude concluir que nem neste tipo de ensino, o profissional/vocacional, estamos próximos: precisamos de ser mais flexíveis, ter mais horas de formação em contexto de trabalho e valorizar a vontade de fazer formações, de aumentar a carteira de competências, passando por uma desburocratização do sistema. Um exemplo simples: há alunos que conciliam a frequência dos dois tipos de ensino: o regular e o vocacional. O reconhecimento das competências dos adultos é feito através da produção de determinado produto que o adulto diz saber fazer e um suporte escrito a acompanhar, mas este suporte é feito com a ajuda dos professores. A educação para adultos é a partir dos 16 anos.

Bem, com este constatar de que “ é mais aquilo que nos separa do que aquilo que nos une” termino, deixando o meu programa para amanhã:

8h00-8h45        RAB3.7 (French, 3rd year students)
8h45-9h30        RAA2.1 (French, 2nd year students)
11h20-11h45    Lunch
12h40-13h25    Presentation of Ivalon yläasteen koulu
13h30-14h15    EN 9B (English, 9th grade)
16h00-17h30    French (evening classes)
18h00-19h30    Spanish (evening classes)

http://oph.fi/english/education


Apresentação da Ivalon Lukio

Átrio da escola
Não sou britânica mas gosto de pontualidade e portanto cheguei à escola com a devida antecedência. Não havia ninguém na entrada e por isso fiquei sentada no átrio à espera das 9h40. Alguns alunos iam chegando, tiravam os agasalhos e penduravam-nos nos cabides. Calmamente sentavam-se a conversar ou a ler. Ouviam-se risos, vozes mas não se ouviam as gargalhadas sonoras e os tons de voz elevados a que estamos habituados…é uma cultura diferente, não são menos simpáticos por isso, só são diferentes. São discretos, viam-me mas não me observavam. E os dez minutos de espera terminaram com a chegada da colega Ulla. Conduziu-me à sala de professores e apresentou-me aos colegas, de seguida ofereceu-me um café e uma fatia de bolo. Dentro da sala existe uma kitchnet onde os professores preparam o café. Todos os professores, após utilizarem as loiças colocam-nas na máquina de lavar. De repente todos os professores desapareceram da sala como se ouvissem uma campainha imaginária, era hora de regressar ao trabalho. A pausa de 10 minutos tinha terminado. Ficámos sentadas à mesa e as informações foram surgindo: o sistema de ensino, o número de horas que os professores lecionam por semana, os salários, as substituições, os níveis e classificações, a organização etc.
Após esta interessante e elucidativa conversa fomos visitar as instalações da escola: salas de aula, laboratórios, secretaria, gabinetes dos professores, as instalações da associação de estudantes, salas de informática, o refeitório. Não preciso de descrever nenhum destes espaços, pois as fotos falam por si. Um elemento sempre presente em todas as salas da escola é o lavatório, uma norma do estado Finlandês seguida em todas as escolas do país. A visita terminou no refeitório para um almoço de 25 minutos, seguido de uma reunião geral semanal de 10 minutos onde os alunos são informados sobre assunto(s) relevantes. Nesta semana, além da minha apresentação à comunidade escolar, uma professora fez uma intervenção no sentido de alertar os alunos para a aproximação do inverno e das baixas temperaturas que obrigarão a cuidados suplementares. Finda a intervenção, a reunião foi encerrada com um aplauso à professora e os alunos rapidamente se dirigiram para as suas salas de aula.
Fui convidada a visitar a turma ENA4.2, a qual era constituída por 18 alunos com idades compreendidas entre os 15 e os 16 anos. Os alunos colocaram-me questões como por exemplo: “Como se diz em Português, o meu nome é…?”, “O que acha da nossa escola?”, “ Gosta da cidade?”, O que acha do nosso sistema de ensino?” e…”Qual a sua opinião sobre a posição da Finlândia em relação à situação económica de Portugal?”…ups! Só mesmo a frontalidade de um jovem, pois um adulto não colocaria tal questão, certamente por delicadezaJ. Descansei a professora que estava deveras embaraçada e calmamente respondi à questão. Esgotadas as perguntas passei à apresentação do país, continente e ilhas através de 3 filmes promocionais. Falámos sobre alguns aspectos relacionados com os filmes e os 45m da aula chegaram ao fim. Agora ia mudar de cenário: Sámi Educational Institute em Inari (a cerca de 40km).

Sala de aula, o pormenor da higiene
Sala de aula


 

Equipamento indispensável e todas as salas



 
<>               Área de trabalho para cada prof...
Uma janela nas portas das salas de aula

 


domingo, 30 de outubro de 2011

Museu Siida, Inari

As Renas
Antes de sairmos para o Museu de SIIDA em Inari (a cerca de 40 km de Ivalo), a minha anfitriã informou-me que os coelhos já mudaram de cor, apesar de ainda haver neve…sim, os animais selvagens para se protegerem e escaparem dos seus perdedores mudam a pelagem (ou as penas) castanha de verão para branca de inverno para se confundirem com a neve. Este ano já deveriam estar temperaturas de 3 ou 4 graus negativos e estão entre 4 a 6 positivos e da neve … nem sinal! Alterações climatéricas certamente provocadas pelo Aquecimento GlobalL
A caminho de Inari encontrámos várias renas selvagens. Lindas…mas perigosas! Como não conhecem o código da estrada ocupam as vias sem qualquer preocupação com o trânsito, causando, por vezes, graves acidentes.
O Museu SIIDA é um museu consagrado ao povo Sami e à Natureza. O povo Sami compreende a população indígena do Norte da Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia. Este povo é conhecido por ser grande criador de renas, criação essa que hoje em dia só é permitida a este povo por razões culturais, tradicionais e ambientais. As tradições deste povo estão a ser recuperadas, devido a um grupo de pessoas que motivou os jovens para serem os dinamizadores deste movimento. Os resultados já estão à vistaJ
Programa de amanhã:
9h40-11h20   Presentation of Ivalo lukio
                      (Ivalo upper secondary school)
11h20-11h45 Lunch
11h45-12h30 ENA4.2 (English, 2nd year students)
12h30             Sami Educational Institute, Inari
                       (vocational school)

Das nossas conversas saliento algumas informações:
- Os alunos almoçam e lancham todos os dias na escola gratuitamente;
-As escolas são geridas pelo município, o qual paga inclusivamente os salários e as reformas dos professores;
-O governo central paga ao município um determinado montante por cada aluno;
-A avaliação dos professores é feita em função da avaliação dos resultados da escola;
-Só quando há algum problema é que o inspector vem à escola, a pedido do diretor;
Um Tipi
-Os alunos podem ter telemóveis dentro da sala de aula, mas desligados ou sem som. Não levantam problemas porque compreendem e acatam esta regra e o telemóvel já não constitui qualquer novidade visto já existir neste pais há muitos anos;
-Devido ao isolamento a que a população desta cidade vive (de Inverno a neve atinge mais de um metro nas ruas), os médicos não se fixam aqui e só dispõem de um clínico no centro de saúde. Quando necessitam de uma consulta de qualquer especialidade deslocam-se a uma cidade maior que dista cerca de 300km…(se fosse em Portugal..ui,ui…);
-Há produtos que são mais caros do que noutros pontos do pais, devido a distancia e é o povo que suporta estes custos;
-No estacionamento do Museu estão uns dispositivos que são aquecedores de motores, para de inverno, com temperaturas a rondarem os 15/20 graus negativos, poderem aquecer os motores dos carros.

Bandeira Sami, hasteada em actos culturais
Até amanhãJ   


Chegada a Ivalo...Second Step

A viagem para Ivalo começou às 10h20 e terminou às 11h35. Neste período de tempo foram percorridos cerca de 1000km. Mantemos a diferença horária de 2horas mais que em Portugal. Ao chegar ao Aeroporto de Ivalo tive a sensação de ter recuado no tempo: nada de mangas, descemos as escadas e o percurso até à recolha das malas foi feito a pé. Este Aeroporto é o único que existe no norte da Finlândia, também um dos mais antigos e foi construído por prisioneiros que se encontravam sob a alçada dos Alemães, durante a 2ª Guerra Mundial. Já sofreu várias remodelações para poder acompanhar os tempos modernos. A colega finlandesa estava à minha espera e transportou-me ao Hotel.
Sopa de peixe
Nada melhor para começar esta minha tarefa do que provar um almoço genuinamente finlandês: fui convidada pela Ulla para almoçar uma sopa de peixe em sua casaJ. Um convite tão simpático não poderia ser recusado e portanto provei uma sopa bastante diferente da nossa: salmão, batata, cebola, leite, queijo e pimenta. Uma delícia! Esta sopa foi acompanhada por pão escuro e pão de batata, ambos barrados com manteiga, seguindo-se a fruta, o café, o licor e uma deliciosa torta de framboesa. As bebidas que acompanham os almoços dos finlandeses são várias, água, sumo, cerveja e leite. Foi um almoço muito agradávelJ
O pormenor do guardanapo
Aqui todas as casas têm uma sauna. O dia que consideram “obrigatório” para fazer uma sauna é o sábado, mas também nos restantes dias da semana podem fazer esta técnica tradicional de relaxamento, durante o tempo que quiserem. Após a sauna é obrigatório o banho gelado, ou se houver neve, rebolar na neve ou mergulhar num lago gelado…Brrrrr!!! J

sábado, 29 de outubro de 2011

Aeroporto de Helsínquia…First Step

O voo teve a duração de cerca de 3h50, mas o tempo previsto era 4h10. A viagem correu bem e sem qualquer turbulência. Neste momento estou à espera do voo de ligação para Ivalo, na Lapónia, que será às 10h10.
Há uma diferença horária de 2h em relação a Portugal. Os preços de alguns artigos aqui no aeroporto são bastante elevados, mas estes preços não servirão de referência visto nestes locais os preços estarem sempre inflacionados. Mas por curiosidade, uma garrafa de agua de 0,5 l custa 2,50€ nas maquinas e 2,90€ no freeshop. Um Kinderbueno 1,50€…
Neste mapa pode-se observar a distancia que percorri ate agora.
Próxima etapa: Ivalo !!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Job shadowing

         No próximo dia 29 de Outubro iniciarei um projeto de “job shadowing” na Finlândia, mais concretamente em Ivalo, na Lapónia. Este projeto consiste no seguinte: ser a sombra (shadow) de um profissional, observá-lo a desempenhar as suas funções e acompanhá-lo nas suas actividades profissionais.
Desde o primeiro momento em que ouvi falar desta ação (assim se designam os diferentes tipos de projectos da PROALV) que fiquei muito interessada. Penso que é da troca de conhecimentos com outros profissionais que podemos melhorar as nossas competências, e em consequência, o nosso desempenho profissional. Nas outras ações ( Comenius, Leonardo, etc.) também nos enriquecemos bastante com a troca de experiências profissionais. A diferença é que nesta ação, dado ser ao nosso ritmo ( e não ao ritmo de grupo), podemos observar melhor os aspetos que nos suscitam maior interesse ou que, sob o nosso ponto de vista, nos poderão ajudar a melhorar as nossas práticas profissionais.
Este projeto teve início num convite para “job shadowing” de uma colega finlandesa. Após algumas trocas de opiniões com colegas, a ideia amadureceu e o convite foi aceite. De imediato procedi à candidatura ao projeto. Com base na proposta de trabalho da colega finlandesa, delineei um plano de todas as áreas que gostaria de observar, de saber mais e, de recolher informações. Como este é um projeto individual e pessoal, nele estão espelhados todos os meus interesses. Desde o ensino regular, ensino profissional/vocacional, ensino noturno, os séniores, a proteção de crianças e jovens, a promoção turística e até mesmo a autarquia. É um plano muito audacioso para tão pouco tempo, mas como a motivação é muito forte, acredito que o vou conseguir concretizar. E lá diz o ditado: “ Where there’s a will, there’s a way!”